terça-feira, 11 de janeiro de 2011

entrevista a Yana Vacula sobre a cultura e ensino na Molávia

Considera as relações aluno-professor e professor-aluno muito diferentes das no seu país?

- Parecidas

Em que aspectos?

Nas escolas os alunos devem demonstrar respeito pelo professor, sendo que sempre que o professor entra numa sala de aula, os mesmos têm de se levantar ficando do lado esquerdo ou direito da secretária. É estabelecida a diferença entre o professor e o aluno, sendo que o aluno não pode tratar o professor como um colega de turma o que acontece em muitas escolas portuguesas. Todas as aulas o professor marca os trabalhos de casa e leva os cadernos dos alunos para corrigir os tpc’s, atribuindo nota na caderneta do aluno, caderneta essa que é uma especie de agenda que possui todas as disciplinas que o aluno tem num determinado dia, levando observaçoes e classificaçoes diarias sobre o desempenho em cada disciplina que tem de ser assinado pelo encarregado de educação. No geral, as regras são semelhantes, só que nos países de leste o esforço e exigência para cumpri-las é maior. Há mais disciplina nas escolas.

5. Comparativamente com o do seu país de origem, como considera o ensino português?

- Muito pouco exigente

Porquê?


O problema do ensino português começa pelas escolas primárias. Na minha opinião são muito pouco exigentes. Com 6/7 anos de idade, apesar de serem crianças, é a altura em que começam a ter a maior capacidade de acumulação de informação, em que têm uma grande curiosidade e onde é mais facil corrigir erros. Nas primárias devia haver mais disciplinas, os professores deviam ser bem mais rigorosos pois é nessa idade que se educa e se impõe respeito e não aos 14-17 quando os professores se queixam de agressão por parte dos alunos. As bases das materias dadas são fracas, sendo que passado uns meses, se o aluno não rever a materia, esquece-a completamente. Lembro-me quando no 12º ano tive explicadora de matematica para preparação para o exame, ela dizia que uma das coisas que admirava nos alunos de leste que tinha, era as bases que lhes foram dadas nas escolas de leste. Mesmo o meu pai que acabou a escola há mais de 30 anos, lembra-se das coisas que deu e as vezes ajudava-me nos estudos, enquanto duvido que um portugues se lembre daquilo que aprendeu há 30 anos atras. No meu 5º ano na Moldavia as minhas disciplinas eram historia da Moldávia, história universal, língua inglesa, ucraniana, moldava e russa, literatura, geografia, geologia, biologia, música, matematica, edicação fisica, educação visual e tecnologica, entre outras. Algumas destas disciplinas os alunos portugueses so começam a estudar a partir do 7º/9º ou até 10º ano. A nivel de materia dada, por exemplo a matematica, senti que ia muito mais avançada. Os pais também têm um papel fundamental na educação, na Moldávia os pais estão sempre a par das notas e comportamento do aluno pois faz parte da função do professor estar sempre a informar os encarregados de educação. Até me tornar autonoma, a minha mae sempre me acompanhou, controlando as minhas horas de estudo e esclarecendo as minhas duvidas, sempre que podia.

6. Qual o grau de dificuldade que sentiu em adaptar-te à/ao:

6.1. Alimentação

Fácil

6.2. Língua

Difícil 

6.3. Vestuário

Fácil

6.4. Clima

Difícil 

6.5. Sistema de ensino

Fácil

7. Na generalidade, como considera a adaptação à nova vida?

Fácil

8. Gosta de viver em Portugal?

Gosto

Porquê?

Portugal é um país que eu admiro pela grande história, cultura e paisagem que possui. Quando vim para Portugal com 11 anos, parecia um sonho, o país das praias e palmeiras, país dos descobrimentos e do povo humilde e acolhedor. Com o tempo essa imagem foi-se apagando um pouco, pois nenhum país é perfeito, tem as suas crises e desvantagens.

9. Gostava de continuar em Portugal?

Gostava pouco

Porquê?

Apesar de gostar de Portugal, não pretendo continuar por cá. Em primeiro lugar, nunca estive habituada a ficar no mesmo lugar por muito tempo, as longo dos meus 19 anos mudei de país, mudei de 6 habitações, 7 escolas, conheci muitas pessoas, fiz muitos amigos e tambem tive de deixar muitos familiares e amigos para trás. Acho que daqui a 3/4 anos vou mudar de país, porque já sinto a necessidade de experimentar algo novo, diferente. Em segundo lugar, acho que já conheço bem Portugal, é um país maravilhoso mas que está a ser mal gerido e a riqueza que possui é mal aproveitada. O povo é o mais simpatico que já conheci, mas acho que se contenta com pouco. Refilam, criticam muito, mas quando se fala em agir, cada um enfia-se no seu canto. Arrisco-me a dizer, e os portugueses que não me levem a mal, mas Portugal é um país de preguiçosos. Claro que há excepçoes, há aqueles que se esforçam e lutam por aquilo que querem, mas no geral, é a ideia que tenho. Há tanto desemprego em Portugal, mas se formos ver, por exemplo, na construção civil e nas limpezas há tantos estrangeiros, desde africanos, brasileiros, pessoal de leste e tão poucos portugueses. Já conheci muitos portugueses que estão no desemprego, mas recusam-se a trabalhar nestes sectores, alguns preferem estar no centro de emprego a viver a custa dos outros. Há que começar por algum lado e não esperar que algo nos caia do céu. É um país que precisa dum “abanão” para mudar a mentalidade, que precisa de corrigir a falta de organização que possui, de começar a agir e não ficar a espera que o governo o faça, porque quer Cavaco Silva, quer Socrates são simples cidadãos portugueses como todos vocês, apenas com mais poder e mais responsabilidade.
10. Numa palavra, como descreve os Portugueses?
Numa palavra é dificil.

11. Do que sente mais saudades do seu país? 
Indique por ordem de preferência 3 aspectos.

1 – Familiares e amigos
2 – Clima
3 – Cultura






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